Se você tem um filho, uma filha ou um adolescente sob seus cuidados, provavelmente já se fez essa pergunta ao menos uma vez: “Será que ele está bem de verdade?” Essa dúvida — que mistura amor, preocupação e às vezes impotência — é mais comum do que parece. E um novo estudo nacional mostra que ela pode estar mais justificada do que gostaríamos.
Em março de 2026, o IBGE divulgou os dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe 2024), e os números são um convite urgente à reflexão: 3 em cada 10 adolescentes entre 13 e 17 anos relataram sentir tristeza com frequência. Uma proporção similar admitiu já ter sentido vontade de se machucar. Quase metade dos jovens entrevistados afirmou sentir irritação constante. E 18,5% disseram acreditar, em algum momento, que a vida não valia a pena ser vivida.
Esses números não são apenas estatísticas. São jovens reais — filhos, filhas, netos — que carregam um sofrimento muitas vezes invisível aos olhos de quem mais os ama.
Por que tanto sofrimento?
A adolescência já é, por natureza, um período de intensa transformação. O cérebro ainda está em desenvolvimento — especialmente o córtex pré-frontal, responsável pela regulação emocional, tomada de decisão e controle de impulsos. Isso significa que os jovens sentem as emoções com mais intensidade, mas ainda têm menos recursos internos para gerenciá-las.
Some a isso o contexto contemporâneo: redes sociais que alimentam comparação constante, pressão por desempenho acadêmico, instabilidade nos vínculos de amizade, o pós-pandemia que deixou marcas profundas no desenvolvimento social e afetivo, e a dificuldade de muitos adolescentes em verbalizar o que sentem. O resultado é uma geração que, muitas vezes, sofre em silêncio.
A pesquisa também revelou um dado que nos preocupa enquanto profissionais de saúde: menos da metade das escolas brasileiras oferece acolhimento psicológico, e apenas 34% contam com profissionais de saúde mental em seu quadro. Ou seja, o suporte institucional ainda está muito aquém da necessidade real dos jovens.
Como a TCC e a Neuropsicologia podem ajudar?
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens mais estudadas e eficazes para o tratamento de ansiedade, depressão e outros transtornos emocionais na adolescência. Por meio dela, o jovem aprende a identificar pensamentos disfuncionais — aquelas vozes internas que dizem “ninguém gosta de mim” ou “nunca vou conseguir” — e a substituí-los por perspectivas mais realistas e funcionais.
A neuropsicologia complementa esse trabalho ao mapear como o cérebro do adolescente está funcionando: há déficits de atenção? Dificuldades de regulação emocional com base orgânica? O sono está prejudicando a memória e o humor? Esse olhar integrado — que une mente, comportamento e neurociência — permite uma intervenção muito mais precisa e humanizada.
Sinais que merecem atenção
Como pai ou mãe, você não precisa ser especialista para perceber que algo pode estar errado. Fique atento a:
- Mudanças repentinas de humor, especialmente irritabilidade ou tristeza persistente
- Isolamento social: deixar de ver amigos, sair menos, ficar cada vez mais no quarto
- Queda no rendimento escolar sem explicação aparente
- Alterações no sono e no apetite
- Fala frequente sobre sentir-se um fardo, não ter futuro ou “não aguentar mais”
- Sinais físicos inexplicáveis, como dores de cabeça e estômago frequentes
Se você identificou dois ou mais desses sinais no seu filho ou filha, vale muito a pena buscar uma avaliação profissional. Pedir ajuda cedo faz toda a diferença no prognóstico.
O que você pode fazer hoje
Antes de qualquer intervenção profissional, a conexão com o adolescente é a base de tudo. Algumas atitudes simples podem abrir portas importantes:
- Crie momentos de conversa sem agenda: não pergunte apenas sobre notas ou obrigações. Pergunte como a pessoa está se sentindo.
- Valide os sentimentos antes de oferecer soluções. “Imagino que isso foi muito difícil para você” vale mais do que “Isso não é nada, passa.”
- Mostre que buscar ajuda psicológica é um ato de coragem, não de fraqueza.
- Observe sem vigiar. Há uma diferença importante entre se preocupar com seu filho e invadir seu espaço.
E lembre-se: você não precisa ter todas as respostas. Estar presente, com escuta genuína e sem julgamento, já é um gesto profundamente terapêutico.
Precisa de apoio especializado?
Se você sente que seu filho ou filha pode estar precisando de suporte profissional, estou à disposição para ajudar. Atendo adolescentes, crianças e famílias com uma abordagem integrativa, baseada na TCC, neuropsicologia e neurociências aplicadas — sempre com escuta humana e sem julgamentos.
Tenho consultório em Copacabana e Botafogo, no Rio de Janeiro. Se quiser conversar sobre o caso do seu filho ou agendar uma avaliação, entre em contato. O primeiro passo pode ser mais simples do que parece.
Com cuidado e presença,
Willian Michael Psicólogo | TCC • Neuropsicologia • Neurociências • Psicologia do Futebol Copacabana & Botafogo — Rio de Janeiro
